de_forma's Blog

A platéia October 19, 2015

Filed under: Uncategorized — deforma @ 5:23 pm

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Vendo o generoso palco circular em pedra de granito, já tomada pelos musgos e líquens, a tradicional familia de ombros colados está de frente.Uns curiosos 4 sujeitos cinzentos tentam por-se mais altos, sem dar conta que são cegos.

Soberana e anti-social, sem ninguém a lhe encostar , uma figura esguia e amarela surge ao fundo; parece uma jovem com vestes retrô e acessórios da última moda.

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Os desajeitados, com leves sotaques clássicos, e separados por um oceano. May 23, 2015

O primeiro em Campinas, ao lado da antiga rodoviária e já demolido; o outro, na Baixa do Porto.

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Parque Augusta: perguntas que deveriam ser tombadas até terem resposta. February 4, 2015

Com o parecer favorável do Conpresp aos edifícios da Cyrela e Setin nesta área parece que o desejo dos paulistanos por esta área verde, extremamente necessária numa cidade carente de espaços verdes como São Paulo, está cada vez mais longe de se tornar realidade.

O objetivo deste artigo não é discutir se o parque deve ser na sua totalidade um espaço de lazer, como demandam os movimentos populares, ou se somente uma parte já seria agregador para a cidade conforme as construtoras clamam(muito embora se elas pudessem urbanizar cada centímetro quadrado do parque com certeza o fariam) e o poder público parece ver como o único caminho a seguir.

Cabe ver aqui o papel da prefeitura, em especial destaque o do Conpresp, que cuida do tombamento do patrimônio da cidade.

Pois bem, no início desta polêmica toda as construtoras ofereceram duas propostas para serem analisadas: uma previa duas torres de 100 metros de altura que resultava obviamente numa área ocupada menor em que 80% do total seria aberto à população; a outra com prédios mais baixos mas em maior número batendo no limite de 45 metros que o tombamento da área pelo Conpresp prevê, só que como contrapartida a área aberta ao público seria de 60% do total.

Qualquer bom senso nesta questão apontaria para que o maior proveito da área pela população seria a escolha certa, logo o das duas torre.

Para isto ocorrer o Conpresp teria de derrubar a lei de 2004 que limita o gabarito no terreno devido à proximidade com as árvores nativas,como ele não derrubou o tal decreto, sabe-se lá por quais motivos, a população no atual andar das coisas ficará mesmo com os 60%.

O órgão público, que deveria apoiar a população, como não faz as coisas por maldade até tentou a outra opção, mas alguma “força maior” o impediu.Vejam a declaração da presidente do Conpresp publicada na Folha no dia 31/05/2014:

A presidente do Conpresp, Nadia Somekh, diz que urbanisticamente prefere o projeto de duas torres, de cem metros, que libera mais área. Mas ela diz que o órgão não pode derrubar a resolução sem um “fato excepcional”.

“Digamos que, mesmo que o prefeito demande a mudança, teriam de ser feitas audiências públicas. Não dá para mudar uma resolução que não contém erro sem haver um fato excepcional.”

Há algumas perguntas que ficam no ar, frente ao surrealismo desta decisão, e à declaração em si que é um exemplo típico de emenda que saiu pior do que soneto:

  • Se o objetivo do tombamento é proteger as árvores nativas a proposta escolhida torna os edifícios ainda mais próximos a elas e não permite espaço para contemplá-las à distância livres da edificação.A impressão que se tem aqui é de que o instrumento usado pelo Conpresp foi um mero lance burocrático e tecnicista sem nenhum embasamento com a realidade.Será que o órgão ainda acha que São Paulo é a cidade horizontal dos anos 1920 e esqueceu-se de olhar pela janela e ver a realidade que existe?
  • Ao atravessar a Rua Augusta na esquina com a Caio Prado o  empreendimento Cadoro com uma torre que beira algo em torno dos também 100 metros está em construção. Este edifício enorme pôde ser feito sem impasses, mesmo que pela atual legislação também se imagine que gere impacto no parque visto estar mesmo ao lado dele.Este tombamento então é feito com dois pesos e duas medidas?
  • O “fato excepcional” referido na reportagem mostra a maneira mecânica e sistematicamente sem sentido que este orgão trata do assunto.Ser o último refúgio verde numa área carente de espaços públicos como o centro da cidade não é um fato excepcional?
  • Depois de tantas demonstrações por parte da população do seu desejo em relação ao parque, mesmo que o empreendimento seja construído contrariando os seus interesses, não está claro qual das duas opções de implantação o povo escolheria caso houvesse uma audiência pública?

Partindo do princípio de que do ponto de vista das construtoras tanto uma opção quanto a outra resultaria no mesmo número de área locável ( $$$) e que portanto tanto faz uma ou outra, esta decisão no mínimo nos leva a dar razão ao questionamento do professor Benedito Lima da FAU-USP publicados aqui.

Abaixo as propostas com 45 metros e 100 metros de altura:

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Cada um vê a cidade que quer. December 19, 2014

Recordo-me de umas palavras inicias do livro Complexidade e Contradição em Arquitetura, que na minha memoria, diziam algo como [“Há pessoas que preferem arrancar os olhos para não ver a realidade…”] e que cimentaram um pensamento inquieto em mim desde a época da faculdade quando li o livro.

A grosso modo e resumido, Venturi falava sobre o valor da imagem do edifício, e usava para isto um paralelo entre a comunicação em massa da sociedade americana. O discurso dele é totalmente contra a aniquilação do gesto individual em favor do pensamento maquinista que imperava na época; dizia que os edifícios devem comunicar algo(coisa que,segundo o ponto de vista dele, a arquitetura da época falhava) e usava a imagem de alguns elementos de edificios antigos como uma maneira de o fazer naquela década de 60.

O retorno à metáfora do passado já teve o seu auge, e este não é o assunto da postagem de hoje.

Pergunto-me o que as sobras e o acaso desta cidade de São Paulo tem a dizer.Estas formas, que vemos todos os dias e que para a maioria se resume a caos e excesso de informação a ser combatida, não é muda e tem vocabulário se souber ser lidada, com os olhos bem abertos!

Gosto de usar a fotografia como uma primeira metodologia para isolar trechos de formas da cidade.Com isso posso ver, e mostrar a quem quiser, a cidade que não é representada por plantas, cortes e fachadas: vejo a cidade dos ângulos aonde a maioria não olha.

Não me interessa quando faço isto encontrar a melhor vista ou aquela mais perfeita e manjada, isto aliás seria como uma cobra atrás do rabo numa cidade como São Paulo, estou mais em busca das tensões e da imagem escondida, e que uma foto, como intermediária, pode fazer com que estes elementos digam o que têm a dizer, ou a gritar!

E acreditem, estes prédios de Sampa já estão fartos de falar só entre eles, e quando ando com a câmera pela rua eles tagarelam até me deixar com dor de cabeça.

Traduzir tudo isto é o grande desafio que ainda está longe de ter um final.

E não é só aqui no Brasil que os elementos oprimidos e ignorados têm algo a dizer. Em Paris ou no Porto eles podem ser ofuscados por elementos conhecidos que cantam muito alto, mas tente ver e depois aponte a câmera, que há coisas novas a ser ditas, algumas talvez até parecidas com as paulistanas.

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São Paulo – Brasil

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Porto – Portugal

 

O preconceito para justificar a razão e alienar a emoção: parte I October 13, 2014

Caros colegas arquitetos quais amarras argumentativas lhes servem melhor na hora de projetar?

Não se esqueçam de apertar bem o grilhão quando estiverem com o lápis na mão em cima do papel, só assim conseguem gabaritar em todos os tópicos abaixo:

“Isto é tudo muito aleatório e gratuito”

“Ah tem que ser neutro”

“isto quebra a linguagem da caixa, NÃO PODE!”

“Vamos fazer parecido com o que o morcegão moderno que vive ali nas estalactites do teto de concreto da Faculdade( não posso citar o nome) fazia há 60 anos”

“Tem que ser branco ou com o concreto encardido e cheio de fungos e rachaduras à mostra.”

“Planos cegos nas laterais? ADOOOORO”

Parte I “Estrutura à mostra que define a concepção e o partido previsível, manjado e boçal do edifício”

Parte II “Eu acho que precisamos de mascarar algumas coisas para ficar parecido com a obra do morcegão”

“Falta coerência à linguagem”

E um bônus:

A patricinha arquiteta que leva a bolsa para passear no shopping iguatemi com mão de cabide diz: “Aiiiiii espaços minimalistas e clean são um must, que nem na revista Casa Cláudia”

 

As ironias do mercado imobiliário aplicadas à arquitetura April 14, 2014

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Projeto de expansão do Hotel Jade.

 

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Edifício Bancroft,de 1986,e prestes a ser demolido

 

O título do texto parece nome de matéria de curso de MBA em Pós Graduação,não fosse o assunto ser tão inconsistente e revoltante.

De uns anos para cá a cidade de Nova York tem passado por um boom imobiliário que tem tido como resultado o uso da bola de demolição em edifícios que acrescentam,e muito,ao caráter tradicional da cidade.Quando falo em caráter tradicional me refiro aos edifícios de final do século XIX,ou inicio do XX,em que muitos dele pesa o pioneirismo da verticalização que depois se estenderia a várias cidades do mundo.

Pois bem,nesta semana começa a demolição de mais um destes casos,um edifício de 1896 localizado junto a um conjunto homogêneo de outros da mesma época,que dará lugar a outro monolito de vidro reluzente sem identidade alguma.

Qual a ironia nisto tudo?Na mesma semana,foi anunciado um hotel para a cidade no mais puro estilo Beaux Arts,como se tivesse praticamente sido feito em 1910.Ao que parece esta tendência retrô torna-se comum na cidade.

Pedir ao mercado imobiliário que veja algo que não seja só o benefício próprio seria irreal,no entanto o mesmo mercado que destrói um edifício original do século XIX,cria um outro que é feito no mesmo estilo da época do demolido.

São situações difíceis de se entender,tão paradoxas como é ver em pleno 2014 um edifício novo projetado como há 100 anos atrás!

 

 

 

 

 

 

 

 

Demolições InSANAAs em Paris December 1, 2013

Ruas ladeadas por edifícios beges de cerca de 6 andares,em edifícios com predomínio de linhas horizontais ,que na somatória com os vizinhos,formam os ares de um grande palácio .No topo,telhados em mansarda platinada rematam graciosamente esta grande cidade.

Esta é uma descrição bastante sucinta do que é uma experiência a pé em na Paris antiga e homogênea nas edificações.

Esta arquitetura civil construída em grande parte nas reformas do Barão de Haussmann na metade do século XIX manteve-se praticamente intacta até aos nossos dias,com políticas que incentivaram os novos empreendimentos a se situarem fora da parte histórica,ou se dentro do perímetro antigo(diga-se de passagem,muito extenso) a preservarem as fachadas.

Pois é,as fachadas,algo tão característico de Paris que a descrição no início deste post não faz jus a riqueza das mesmas.

Esta visão de cidade parece estar muito longe da proposta recente do escritório japonês SANAA(pritzker de 2010) com a recente reforma da tradicional loja de departamentos La Samaritaine, ou seria mais justo, projeto de destruição da loja e da atmosfera da cidade.

A loja em questão possui basicamente 3 corpos arquitetônicos distintos:O primeiro e mais grandioso em frente ao Rio Sena,data dos anos 30 e é um dos melhores exemplos em França da Art Déco.Curiosamente este mesmo edifício é uma reforma de um prédio da época Haussmanniana.Seguido deste,colado atrás, está outra parte em estilo Art Nouveau do início do século XX.Logo atrás,vem a parte mais comum do conjunto, de frente para a Rue du Rivoli, e que se assemelha mais ao que são as proporções da Paris típica.

São estes edifícios voltados para a Rue de Rivoli que estão com os dias contados e atualmente em demolição.

Quando se trata de demolição do património antigo,principamente em centros de cidades homogêneas,sou sempre extremamente conservador.Não se trata aqui do valor individual dos edifícios em questão,que existem aos milhares em Paris certamente,e exatamente por formarem esse conjunto fantástico de cidade devem ser preservados a todo o custo.

Sobre a proposta do SANAA, não vejo sinceramente por parte do escritório vontade de tentar entender o que é o local em questão,limitando-se somente a manter a volumetria da cidade,com uma fachada anónima e insípida para o local em questão.

O mal já está feito,poderia ser pior se não tivesse havido constestações em tribunal da proposta inicial que previa arrasar ,além dos edifícios citados, também um conjunto de edifícios do século XVIII.Os primeiros se safaram,os últimos também tiveram a demolição contestada,mas não tiveram tanta sorte.

Com tanta porcaria feita feita nos anos 60 em meio a este tecido urbano fantástico,estes sim louváveis de serem destruídos, é triste de ver o que aconteceu.

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Para Saber mais:

La Tribune de l’art

valentinfiumefreddo

 

 
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