de_forma's Blog

Cada um vê a cidade que quer. December 19, 2014

Recordo-me de umas palavras inicias do livro Complexidade e Contradição em Arquitetura, que na minha memoria, diziam algo como [“Há pessoas que preferem arrancar os olhos para não ver a realidade…”] e que cimentaram um pensamento inquieto em mim desde a época da faculdade quando li o livro.

A grosso modo e resumido, Venturi falava sobre o valor da imagem do edifício, e usava para isto um paralelo entre a comunicação em massa da sociedade americana. O discurso dele é totalmente contra a aniquilação do gesto individual em favor do pensamento maquinista que imperava na época; dizia que os edifícios devem comunicar algo(coisa que,segundo o ponto de vista dele, a arquitetura da época falhava) e usava a imagem de alguns elementos de edificios antigos como uma maneira de o fazer naquela década de 60.

O retorno à metáfora do passado já teve o seu auge, e este não é o assunto da postagem de hoje.

Pergunto-me o que as sobras e o acaso desta cidade de São Paulo tem a dizer.Estas formas, que vemos todos os dias e que para a maioria se resume a caos e excesso de informação a ser combatida, não é muda e tem vocabulário se souber ser lidada, com os olhos bem abertos!

Gosto de usar a fotografia como uma primeira metodologia para isolar trechos de formas da cidade.Com isso posso ver, e mostrar a quem quiser, a cidade que não é representada por plantas, cortes e fachadas: vejo a cidade dos ângulos aonde a maioria não olha.

Não me interessa quando faço isto encontrar a melhor vista ou aquela mais perfeita e manjada, isto aliás seria como uma cobra atrás do rabo numa cidade como São Paulo, estou mais em busca das tensões e da imagem escondida, e que uma foto, como intermediária, pode fazer com que estes elementos digam o que têm a dizer, ou a gritar!

E acreditem, estes prédios de Sampa já estão fartos de falar só entre eles, e quando ando com a câmera pela rua eles tagarelam até me deixar com dor de cabeça.

Traduzir tudo isto é o grande desafio que ainda está longe de ter um final.

E não é só aqui no Brasil que os elementos oprimidos e ignorados têm algo a dizer. Em Paris ou no Porto eles podem ser ofuscados por elementos conhecidos que cantam muito alto, mas tente ver e depois aponte a câmera, que há coisas novas a ser ditas, algumas talvez até parecidas com as paulistanas.

DSC_0204

São Paulo – Brasil

DSCN2570

Porto – Portugal

 

 
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